Tenho ouvido muito sobre feminismo, por outro lado, cada dia mais, tenho ouvido sobre violência contra mulheres.
Escrever sobre isso é muito difícil, pois cada palavra pode nos levar a outro caminho, mas vou tentar.
Me pergunto qual meu papel, enquanto mulher, neste mundo e percebo que nascer mulher é muito mais que acaso, é uma missão.
Nós somos criadas em um mundo machista, onde muitas de nós, por não terem oportunidade de conhecer outras perspectivas, assumem uma postura machista também.
Não tenho gostado do que tenho visto e talvez vocês possam me ajudar a resolver um dilema.
Quando algumas mulheres se expõem, ou se expressam (como gostam de dizer) através de sua sexualidade, com pouca roupa (ou nenhuma) e muitos gestos obscenos, me pergunto se isso não é apelar e chamar atenção de forma baixa ou se estamos tentando nos libertar de anos de opressão, quando devíamos nos vestir, andar e falar conforme as regras?
Posar nua ou semi-nua é um grande gesto revolucionário ou apenas estamos alimentando um mercado riquíssimo que explora a imagem feminina? Afinal, isso é revolução?
Essa pulga fica atrás da minha orelha e não sai.
Acho que na tentativa de reforçarem seu discurso feminista, algumas mulheres se perderam e estão errando na medida.
Não me entendam mal.
Não estou criticando ninguém e espero que não esteja fazendo um discurso moralista, eu odeio isso.
Apenas quero entender onde estamos indo e onde queremos chegar, como mulheres.
Sou a única mulher no setor onde trabalho e não gosto de ouvir o que os homens dizem sobre nós. Como nos julgam pela aparência ou quando me chamam de “menino” quando faço palhaçadas engraçada, como se isso fosse um elogio e como se uma mulher não pudesse ser assim.
Recentemente assisti um filme, “Os homens são de Marte…e é pra lá que eu vou”. Saí aterrorizada e envergonhada, afinal, segundo o filme, o objetivo de vida de toda mulher é CASAR, não importa o que você tenha que fazer pra conseguir isso. Não importa com quem.
Mas a gente já conquistou tanta coisa pra um filme nos reduzir a isso.
Veja bem, eu tenho uma faculdade, um bom emprego, pago minhas contas, faço planos de viajar e conhecer o mundo. Mas, meu Deus… Tenho 28 anos e ainda não casei! Acho melhor deixar uma pós ou viagens para depois e começar a convencer meu namorado de que ele precisa fazer isso por mim. Ou não?
Não! Disso tenho certeza.
Tenho certeza que quando precisar bater boca com alguém, ainda vão me chamar de “mal amada” pelas costas. Tenho certeza que vão me dizer que não existe sinceridade entre mulheres. Tenho certeza que vão continuar dizendo que tenho que aprender a cozinhar pra conseguir um marido (eu não sei cozinhar). E tenho certeza que vou ouvir muito mais, a vida inteira, e não vou acreditar em nada disso.
Ainda não sei qual nosso papel no mundo, mas fico muito triste ao saber que existem lugares como a Índia, que registra um caso de estupro a cada 21 minutos. Assim como muitos outros países e até mesmo no nosso, onde muitas crianças e jovens precisam se prostituir pra conseguir comer. Nessas horas eu penso na minha responsabilidade enquanto mulher e espero que isso possa fazer vocês, mulheres, pensarem também.
Será que estamos usando nossa liberdade corretamente? Ou desperdiçando uma grande oportunidade?